quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O3 de Dezembro

Hoje é dia 03 de Dezembro. Desde a hora em que acordei até agora estou pensando em postar algo aqui no Metafromoses referindo ao dia de hoje. É, quero dizer, seria, aniversário do meu pai. Eu poderia dizer uma infinidade de coisas que se passam pela minha cabeça a respeito desse dia, mas, para quem passar por aqui, sugiro que leiam o post "Parabéns?" (http://metafromoses.blogspot.com/2008/12/dessa-pra-uma-melhor.html), escrito por mim em 03 de Dezembro de 2008; parece até que foi ontem...


Marcelo Fromer foi um sujeito nota dez. E passei aqui para registrar a data sem muita melancolia e lembra-lo sempre com carinho, o que faço todos os dias, mas hoje, em especial.


"Guitarrista Gourmet;
Malandro Sommelier..."



domingo, 22 de novembro de 2009

De Pernas Para o Ar





Droga! Eu quero escrever tanta coisa ao mesmo tempo que me confundo toda! Penso num pedacinho de um possível novo post, depois penso logo em outro, e em outro, mais outro, e outro... Uma porção de pequeninos retalhos. Farei o possível para os juntar e formar uma colcha de retalhos.

Fiquei doente por uns dias, com uma gripe dos infernos! (não, não era a Gripe Porquinha).  E enquanto desfrutava do meu mal-estar, muita coisa se passou aqui dentro, no País das Maravilhas.
Eu podia ter lido, estudado, assistido novelas (meu vício), roído o restante das minhas unhas (vício n° 2) - se é que ainda posso chamar "unha" a isso que fica na ponta dos meus dedos. Dessas coisas todas, fiz de tudo um pouco, mas o que realmente me entreteve foi dar uma de Alice no País das Maravilhas, um dos meus passatempos preferidos.

Nada de muito complexo, basta uma espécie de "meditação" levada menos a sério que serve, basicamente, para esclarecer algumas ideias e colorir outras.
Foi bastante útil enquanto durou, depois me despertei e voltou tudo ao normal (ou será que o normal era o que eu "meditava"?), uma confusão. Não que antes também não estivesse tudo confuso, de pernas para o ar, mas tratava-se de uma confusão colorida; ao despertar, a confusão é preta e branca.

Volta e meia, quando tenho coragem, me dou ao luxo de instantes como esses, de fazer nada. Mas ultimamente não tem sido fácil, imagino que para ninguém. Foi preciso ficar doente para tirar o atraso! Ainda bem que o fiz, assim pude ver que preciso de uma reciclagem urgente de ideias, tá tudo bagunçado, desorganizado e confuso! Assim como tudo isso o que escrevi até agora, mas é como eu digo e repito: se eu não escrever, será inviável continuar com os meus afazeres.

Bom, that's it! Acho que agora já dá pra voltar aqui para as minhas confusões pretas e bracas; espero já as ter conseguido domar da próxima vez passar por aqui...

domingo, 8 de novembro de 2009

Turbulência



Pode ser que amanhã, depois de amanhã, daqui uns dias... Ou quando me der na telha, eu apague toda essa baboseira que escrevo nesse domingo cinza, feio, frio, nublado, chato, chuvoso e mais uma infinidade de adjetivos negativos. É bastante provável que da próxima vez que eu vier postar alguma coisa aqui, eu leia o que escrevo agora e ache absurdamente ridículo, talvez não. A única certeza que tenho nesse momento é a de escrever, a não ser que, em vez disso, eu queira dar uma de doida e gritar por aí. Por vezes a escrita tem o efeito de um bom grito. Pra já, não vou conseguir focar-me em mais nada sem antes levar uma breve prosa comigo mesma ou, quem sabe, com mais alguém que, por falta de sorte, veio parar aqui e compartilhar das minhas lamúrias.

Não sei se é porque a televisão me deixou burra, muito burra demais ou por outra estupidez qualquer, mas assim como o domingo, minha cabeça anda meio cinza, chata, nublada, turbulenta, chuvosa (?)... Já pensei na possibilidade de o Sol ter ido embora e deixado a sombra para envolver meus pensamentos. Não é uma hipótese a se descartar totalmente, mas muito vaga.

Quem foi que disse que é nos momentos de "sombra" que o escritor tem seu ápice de criatividade? Atualmente discordo. Eu mesma já uma vez confirmei essa bobagem, mas nem venham questionar-me, afinal, trata-se de uma "metafromose ambulante". O apogeu da (minha) criatividade está acompanhado do apogeu do (meu) emocional. Está certo que não sou escritora nem nada, apenas gosto de escrever, diria até que necessito de escrever. Mais ainda, dependo da escrita! Já agora, eis aí um exemplo; só serei capaz de retomar meus afazeres outrora interrompidos depois de terminado esse meu "apelo", digamos assim. Admito que estou em falta com minha criatividade - ou ela é que está em falta comigo? - e isso me incomoda ao extremo. É como se houvesse nuvens, muitas nuvens e até um denso nevoeiro pairando em minha cabeça, encobrindo boa parte das ideias, pensamentos, planos... É claro que esse nevoeiro todo há de passar, afinal, tudo passa, não é? Aliás, aproveito para agradecer àquele que introduziu tão consoladora afirmação. Se não fosse por ela, sabe-se lá o que seria de mim e de quase todo o mundo! Há de haver um dia, um belo dia, em que uma cor qualquer apareça no meio de tanto cinza.

Juro que gostaria de ser mais direta com todo esse "blá blá blá" em pleno domingo, mas, por hora, essa foi a maneira (não exatamente melhor), mas a mais eficaz que encontrei para socorrer a mim mesma de tanto nevoeiro, antes que ele conseguisse encobrir o que restou das minhas ideias turbulentas e carentes de criatividade.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dias Dourados






Ainda são muitas as folhas que estão firmes nas copas das árvores, mas estão com os dias contados. O Outono chegou para levá-las embora num longo abraço de despedida, para que, no Inverno, não tenha restado uma única folha nos galhos secos.

Cada dia é uma surpresa. Ora um céu azul límpido compõe o cenário do nosso mês de Outubro, ora uma coleção de nuvens espalhadas pelo céu, fazendo-nos dar asas à imaginação e criar, a cada pedaço de céu, um quadro impressionista. Mas ultimamente temos sido privilegiados com dias ensolarados, que até fazem alusão aos dias de Agosto, em pleno verão.

Pela manhã, o sol é tímido, projetando sua luz  ainda oblíqua. Ilumina a copa das árvores, dando brilho e destacando o verde, que ainda não foi todo tomado pelo dourado. Não tarda muito e o sol ergue-se, firme, forte, potente e imponente, deixando a timidez de outrora para trás. Se não fosse pelas árvores desfalcadas e as folhas esparramadas pelo chão, jurava-se que o verão resolvera se estender por mais alguns meses. Mas basta um pouco mais de sensibilidade para notar uma indispensável nuance, a luz do Outono. A luz do mês de Outubro por aqui, corresponde à do mês de Maio, por aí, onde o anil é mais forte no céu e os raios de sol projetam-se inclinados, fazendo dos dias, os mais encantadores e peculiares do ano.

Passado o período vespertino, surge um impasse. Chover ou não? Com o chegar da tarde são corriqueiras as pancadas de chuva. Aguaceiros breves por vezes resolvem nos surpreender sem piedade. Não pensam duas vezes e, de supetão, desabam sobre tudo e todos, fazendo esfalecer as folhas douradas com suas silhuetas tão bem definidas. Pra já, são apenas aguaceiros breves; pregam-nos o susto do momento e logo vão-se embora. E então, deixam seus rastros úmidos e cintilantes pelas ruas; a ajuda do Sol, fá-lo reluzir em ouro em pó.

Esse envolvente espetáculo natural não passa de um cuidadoso ensaio para o Inverno. O Outono ensaia o Inverno, tentando libertar-se do verão, criando uma mistura única e dourada.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Clave de Sol


O céu passara de azul anil para um azul acinzentado e turvo. A brisa que antes dançava e me envolvia com leveza agora transformara-se num vento que expressava sua fúria com uma correria rebelde, levando em seu embalo as folhas secas do Outono. Não, não fazia frio, pois os vestígios do verão ainda cá estão; com os dias contados, mas basta um pouco de boa vontade e ainda conseguimos sentir o cheiro de um verão que  está prestes a se ausentar pairando no ar.

Algumas esquinas ainda me faltavam, para chegar à aula de piano. Apertei o passo, contando com a probabilidade de uma chuva já antes ameaçada. Esgueirava-me em cada esquina, tornando-me assim, uma fugitiva da chuva. Mas em vão.

Era tarde demais; a partitura que carregava nas mãos começava a ficar borrada, a clave de Sol espalhada pela pauta, escorria ao longo da folha de papel. Nada a fazer, cada novo pingo era mais pesado e vinha acompanhado de muitos outros, multiplicando-se velozmente. Eu? Já de banho tomado.

Fazia tempo que uma chuva dessas não me pegava de surpresa e derramava-se toda sobre mim. Mas desgraça pouca é bobagem, mergulhei de cabeça (quase que literalmente) naquela água toda; tirei o casaco e os chinelos e prossegui, encarando tudo aquilo de outra forma, uma forma positiva e revigorante. É claro que foi revigorante; banho de corpo, banho de alma. Diria que realmente me empolguei, prefiro crer que ninguém me olhava na hora. Não sei se foi patético ou não, mas todos seguravam seus guarda-chuvas e corriam afobados, esquivando-se da chuva, enquanto eu... Ora! Eu desfrutava daquela tarde inusitada, como se nada houvera, a chuva me agradava naquele momento. A chuva lavava-me por inteiro, da cabeça aos pés, de fora para dentro.

Acomodei-me em frente ao piano e fui aos poucos decifrando as manchas borradas que a chuva causara. O maior deles, quase indecifrável mais assemelhava-se à um grande borrão preto e diluído; a clave de Sol.


sábado, 26 de setembro de 2009

Crônica (Jornal) VIII

24 de setembro de 2009
Vermelho Escarlate
por: Alice Fromer


Um dia desses, levantei bem cedo. Na verdade, nem era assim tão cedo, mas quando se trata de férias (ainda por cima sábado), antes das dez já é considerado cedo. Eis que um clarão invade meu quarto e acordo de supetão; minha mãe abrindo a janela, me chamando para acompanha-la numa ida à feira. Não é difícil imaginar minha reação : “Poxa, mãe... Eu tô de férias!” Mas para não fazer o papel de típica adolescente chata, tomei coragem e pus-me de pé, espantando, de uma vez por todas, a preguiça.

Dali um quarto de hora, lá ía eu, naquele passinho lento de recém acordada, a caminho da feira. Aqui onde eu moro é perto de tudo, tanto é que nem temos carro, o que significa que teríamos que trazer as comprar nas mãos! Não, melhor nem pensar; tentei abstrair e pensar apenas que o dia estava lindo e o sol brilhava forte. O trajeto, quase sem diálogos, pois eu estava mais dormindo do que acordada, eu ainda não era eu mesma, mas sim a Alice no País das Maravilhas em pleno mundo dos sonhos...

Já mais acordada avistei a feira ao longe e pouco tempo depois, adentrei nela. Misturei-me à multidão, que nada se assemelha à multidão da feira da Vila Madalena. Logo de cara, a barraca das flores. Fiquei ali examinando flor a flor, até que a vendedora veio puxar assunto comigo. Uma moça bastante simpática, tagarela como só ela, mas ao menos me distraí e sacudi o sono completamente.

Mais adiante, as frutas e verduras. Era mesmo de chamar a atenção todas aquelas cores vivas e contrastantes e tamanhos tão maiores do que estava acostumada. Senti-me atraída de tal maneira, que seria quase um pecado não ir até lá. As cores estavam me chamando, eu tinha que ir, caso contrário, não dormiria direito aquela noite, tamanho seria o meu arrependimento. De perto eram ainda mais coloridas; tenho certeza de que, ao ver aquelas cores todas, a criança que não gostasse de frutas, passaria a gostar desde aquele momento. Fui descobrindo cada vez mais produtos interessantes e novos para mim. Modéstia a parte, sou boa conhecedora de frutas e vegetais, mas não me lembro de ter antes visto algo tão exuberante em termos de coloração. Acho que, nesse caso, posso dizer que os pimentões eram os mais elegantes da feira, um ao lado do outro formando um degradê que ia do amarelo claro ao vermelho escarlate. Decerto foram os que mais hipnotizaram meus olhos. Do outro lado, os verdes, quase do tamanho de um melão.

As maçãs não ficaram atrás. Seu tom de vermelho ultrapassava o escarlate do pimentão, em compensação, sua casca parecia ter sido lustrada com lustra-móveis! Desde que as vi até a hora em que me despedi, a tentação de provar não me deixou em paz um segundo, mas me contive. Eram idênticas a maçã da Branca de Neve; grandes, brilhantes, muito apetitosas e, acima de tudo e qualquer coisa, impressionantemente vermelhas. Um vermelho jamais visto por mim antes. Impossível esquecer aquele escarlate tão vivo e que prende o olhar. Só espero não cair dura logo na primeira mordida! 

As peras, nem eram grande coisa, ninguém dava por elas, coitadas... Pequeninas e submissas ao restante das frutas, ficavam escondidas atrás dos morangos. Assim que me aproximei e pus meus olhos sobre elas, uma senhora chega ao meu lado (a vendedora) e com brilho no olhar conta que suas peras são especiais. Sim, porque só dão uma vez ao ano em Colares, uma freguesia no concelho de Sintra, na serra. Contou que foram colhidas em seu próprio quintal e garantiu que eram as mais saborosas que conhecia. De fato; as melhores que já comi.

Conversa vai, conversa vem, chegara a hora de eu ir embora. Dei uma derradeira vista d’olhos nos pimentões coloridos, nas maçãs da Branca de Neve e nas peras de Colares e, devagar como cheguei, caminhei para casa. Só lamentei não ter podido tocar em nenhum daqueles produtos tão distintos; até poderia tentar fazê-lo, se estivesse disposta a levar “A Bronca da minha vida”!

Crônica (Jornal) VII

20 de agosto de 2009
Crianças, Camarões e Croquetes
por: Alice Fromer



Enquanto vocês, aí na Granja, passam um friozinho, nós por cá somos acolhidos por um calor que cada dia se intensifica; um sol que abrasa e abraça as terras lusitanas.

Agora, nas férias, as escolas começam a organizar passeios e excursões com as crianças, que logo cedo saem em fila, dois em dois, de mãos dadas a caminho da praia. Não tarda nada e, vistas de cima, as praias já estão tomadas por pequenos pontinhos vermelhos – os chapéus dos pequenos e charmosos jovenzinhos. Quase não fazem bagunça, quietos e comportadamente sentados com a supervisão dos monitores quase engraçados (por um triz de conseguirem a proeza de me deprimir) e com certa rigidez, como todo português que se preze. Mas o engraçado mesmo é ficar ali ouvindo os pequeninos a falar com aquele sotaque português, sei que é perfeitamente natural e não é nada de se espantar, pois eles, sendo portugueses, não haveriam de falar de outra maneira. Não obstante, não deixa de ter um ar cômico.

Dali alguns minutos vão chegando as crianças estrangeiras; inglesas, alemãs, francesas... Tão meigas, com rostinhos angelicais. As mães ajudam a passar o filtro solar para que não passem de criancinhas a camarões tostados, corados e encarnados. Até aí nada de especial, até que a criança resolve desatar a falar. Não, não que me incomode, muito pelo contrário. Acho divertidíssimo ouvi-los conversar nesses idiomas que soam tão adultos. Sim, a mim soam como idiomas que só adultos falam, não sei bem porque, mas só consigo imaginar adultos a falarem em alguma dessas línguas. Fico ali atenta a observar a agilidade dos pequeninos, que por falarem línguas para mim tão complicadas, parecem mais crescidos, parecem ter uma idade mais avançada do que a que realmente têm. Já cheguei a formular, cá com meus botões, anúncios censurando o uso de certos idiomas para menores de dez anos. Não; muita crueldade, deixa estar assim, que ao menos me divirto!

Tempo depois, quando o sol já está lá no alto do azul anil do céu de verão e os sinos da igreja dão as doze badalas, é hora das crianças prepararem-se para ir embora. E então, guardam-se todos os apetrechos que uma criança que se preze deve levar à praia e ali vão elas. Agora já não são camarões tostados, mas sim croquetes empanados de areia.